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A mina de ouro oculta da empresa: a sua cadeia de valor

Adriano Nodari

Segundo artigo publicado pela Harvard Business Review Brasil, em maio de 2018, a disrupção é apresentada como uma das principais metas das empresas atualmente. Do que se trata a disrupção? Explicado de maneira simples é aquela busca constante pelas inovações, é o constante surgimento de novos produtos/serviços que desbancam os líderes no mercado até então. A disrupção é a lenha na fogueira da competição.

Nesse artigo fala-se sobre a busca das startups pelo investimento na comercialização e na competição, quando na verdade, poderiam direcionar esforços para controlar e manter o novo produto, gerando oportunidades de mais lucros. Os negócios precisam dar mais enfoque à sua cadeia de valor.

Resumidamente, cadeia de valor é todo o processo pelo qual um serviço passa para chegar ao cliente final (fornecedores, máquinas, funcionários, logística, etc.). Muitas empresas erram quando focam apenas na busca por uma ideia revolucionária, na maioria dos casos, os negócios costumam ter muito sucesso com a sua cadeia de valor com ‘fornecedores’, com tecnologia de ponta.

Exemplos de negócio que valorizam a sua cadeia de valor

Uma fabricante chinesa de produtos eletrônicos, a Foxconn, é uma das poucas no mercado que consegue oferecer na hora e em escala, os novos produtos de grandes marcas, como é o caso da Apple. Vejam que o posicionamento dessa empresa no mercado não é com base na concorrência, mas na competência. Sendo assim, o posicionamento que a Foxconn ocupa hoje é o de parceria em relação às grandes empresas.

Outro exemplo de negócio com foco na cadeia de valor é o setor de supermercados Peapod, que se tornou a principal mercearia na internet nos Estados Unidos. Enquanto isso, a empresa de supermercados online Webvan, surgida em 1996, estava em busca de vencer a concorrência. A Peapod levou em consideração a análise de público e chegou à conclusão de que os clientes preferenciais eram as ‘mulheres profissionais’ que gostariam de poder repetir pedidos com uma certa regularidade, além de programar entregas para horários em específico.

A Webvan, enquanto isso, estava com foco em mudar totalmente a experiência de compra do cliente, o foco era apenas a disrupção e vencer a concorrência. Faliu em 2001, enquanto a Peapod se consolidou no mercado. Qual lição se tira disso? Que valorizar a cadeia de valor também acaba se tornando, no fim das contas, em diferencial competitivo. O negócio deixa de ver a ‘grama do vizinho mais verde’ e passa a enxergar as potencialidades dentro do seu próprio campo de atuação.

Veja o artigoComo usar a concorrência a favor do seu negócio?

Seu foco está apenas na concorrência?

Vale muito mais a pena ajudar os ‘fornecedores’ na cadeia a chegar em um produto de valor agregado maior do que focar apenas na inovação e em desbancar a concorrência.

No relatório de 2016, publicado pela FGV (Centro de Estudos em Sustentabilidade), as cadeias de valor vistas do ponto de vista da sustentabilidade, devem passar por cadeias de valor inovadoras, que incentivem uma perspectiva integrada no que se refere aos impactos econômicos e sociais de seus produtos/serviços, com foco na inclusão social.

O que nós conhecemos hoje como cadeia de valor é resultado da investigação do professor da Harvard Business School, Michael Porter. Há alguns elementos da cadeia de valor, divididas em atividades primárias e de apoio:

Atividades primárias: logística interna ou de entrada; operações; logística externa ou de saída; marketing e vendas e serviços.

Atividades de apoio: infraestrutura; gestão de recursos humanos, desenvolvimento tecnológico e aquisição/compras.

Quanto você gera o máximo de valor ao consumidor e consegue uma boa redução de custos no processo até o produto final, acaba criando uma vantagem competitiva no mercado, mas essa não era a intenção inicial, certo? Por isso ressalto a importância de que os empreendedores foquem na análise da cadeia de valor, e a partir disso, conseguirão também se consolidar no mercado.

Se o seu foco tem sido apenas a concorrência ou em criar produtos novos no mercado, que tal mudar essa visão?

É possível inovar dentro do que já existe, revendo essa cadeia de valor tão importante para o sucesso do negócio. Pensar nisso não deixa de ser uma remodelagem no pensamento sobre empreendedorismo. Já se falou muito sobre sair do lugar comum, mas será que o erro tem sido não retornar ao lugar comum em alguns momentos, para que novos horizontes surjam no negócio?