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Lições a partir de Isabelle Gantus e jovens empreendedores no Brasil

Nos últimos dias uma reportagem sobre jovens empreendedores no Brasil repercutiu muito na internet e gerou uma série de debates nas redes sociais. Isabelle Gantus aos 17 anos após ser desafiada pelo avô ao abriu a própria empresa de cosméticos veganos em 2016, a Ametsa. Confira a reportagem completa aqui.

Na matéria o título havia citado: “Jovem abre um negócio do zero” e muitas pessoas contestaram essa informação, uma vez que Isabelle contou com o empréstimo da família de 300 mil reais para a abertura da empresa.

Independente da situação financeira é essencial compreender que a abertura de um empreendimento envolve uma série de fatores, principalmente competências. Contamos com a participação do consultor empresarial, Adriano Nodari para discutir sobre a atitude dos jovens empreendedores no Brasil e a sua visão sobre a polêmica. Confira.

Empreender é uma atitude e comportamento

Todo mundo seria empreendedor se tivesse dinheiro? Essa é a primeira pergunta que devemos incluir para analisar de maneira racional o caso de Isabelle. E claro, a resposta é não!

Empreender envolve competências e segundo o consultor as principais são: Correr riscos calculados, Iniciativa, Visão e Comprometimento. Sem essas premissas as chances do negócio não dar certo, mesmo com dinheiro, são enormes. Ou seja, não basta ter dinheiro, é essencial possuir habilidades e vocação para tal tarefa.

A boa notícia é que no Brasil cresce o número de jovens entre 18 e 34 anos que estão planejando o próprio negócio. Em 2017 15,7 milhões de jovens empreendedores no Brasil buscam informações sobre o ato de empreender e já estão envolvidos na atividade.

Essas informações foram avaliadas pelo relatório executivo Global Entrepreneurship (GEM) e publicada pelo Sebrae. Segundo Nodari a ONU já realizou estudos prévios sobre a atividade empreendedora com informações ministradas no curso Empretec oferecido pelo Sebrae, um dos melhores para quem deseja abrir o próprio negócio.

“As empresas com maior chance de sucesso são iniciadas por oportunidade de negócio e não por necessidade. É essencial o empreendedor possuir a visão de uma oportunidade e seguir no que acredita”, destaca o consultor.

Vantagens ao receber o apoio financeiro

“Abrir um negócio do zero não quer dizer zero investimento de dinheiro”. O título do site UOL gerou muita repercussão e se analisarmos como é o sistema no ato de empreender não existiu erro.

 “Nesse caso é iniciar uma ideia do zero, desde a criação da marca e todos os processos necessários. Nenhum negócio se inicia com zero investimento de dinheiro”, reforça Nodari.

O apoio financeiro que a família pôde oferecer para Isabelle foi muito importante, uma vez que ela se livrou dos altos juros de empréstimos praticados no Brasil na maioria das vezes proibitivos.

O consultor explica que o suporte financeiro atua não só em investimento e gastos, mas principalmente oferece maior espaço para o empresário usar a sua energia para alavancar a empresa.

Jovens com perfil empreendedor e que não tem apoio financeiro da família existe oportunidade?

A resposta é sim! Como gostamos de destacar, empreender envolve processos que vai muito além do financeiro e graças as novas alternativas e o crescimento contínuo das startups  esse sonho é cada vez mais acessível.

No modelo das startups existe um tipo de financiamento chamado Investidor Anjo (pessoa física) ou nas aceleradoras de negócio (poll de investidor-anjo). Confira mais sobre statups e como funciona no Brasil aqui.

Além do aporte financeiro esse modelo de investimento com apoio do investidor-anjo garante outras ajudas como consultoria empresarial de profissionais experientes no tema que podem ajudar a alavancar a empresa por conta da ampla visão de negócio.

Por outro lado, segundo Nodari, esse tipo de apoio financeiro também requer atenção e pode apresentar pontos negativos como qualquer outro. “As chances do empreendedor perder a autonomia e controle do negócio são  reais. Uma vez que ao investidor-anjo pode possuir, em média, de 8% a 12%, tendo casos que chegam 50% parte da sociedade da empresa”, ressalta.

Não basta ter dinheiro para ser empreendedor!

É preciso quebrar esse paradigma que é muito comum entre os brasileiros. Empreender também é uma profissão que vai exigir talento e uma série de habilidades. É óbvio que não basta ter o apoio financeiro dos pais.

Na idade de 17 anos geralmente os jovens querem sair, se divertir, estudar e com apoio financeiro, viajar para várias partes do mundo – mas abrir a própria empresa rodeada de expectativa e cobrança por parte da família – é uma imensa responsabilidade que não é comum assumir, independente das condições financeiras.

Leia também: Principais barreiras para empreender no Brasil e dicas de como superá-las.

O consultor empresarial reforça que não existe idade para empreender, mas sim vocação. Investir 300 mil ou 20 mil, conforme as condições financeiras, é um risco que deve ser movido pelo senso de oportunidade e visão de longo prazo com chances da empreitada não dar certo.

“O fantástico do empreendedor é que mesmo com os impasses ele nunca perde o brilho nos olhos, independente da idade, seja ela 20, 40 ou 80 anos, a paixão pela ideia e os princípios da atividade, pulsam mais forte”, reflete Nodari.