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Como pagar a dívida do cartão de crédito e do cheque especial?

As dívidas representam uma das principais dores de cabeça dos brasileiros. Segundo dados da Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic), o percentual de famílias brasileiras com alguma dívida subiu de 59,8% em dezembro de 2018, para 60,1%, em janeiro de 2019.

De acordo com dados da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), o cartão de crédito representa a principal razão de dívidas entre os brasileiros (78,4%), em segundo lugar aparecem os carnês (14,0%) e depois vem o financiamento de veículo (9,7%).

A maioria das pessoas, quando está endividada, não consegue pensar com clareza em uma solução para sair do problema, em muitos casos, acaba tomando atitudes drásticas, sem pensar, e ao invés de resolverem o problema, acabam tornando a dívida maior, o que se transforma no que popularmente se chama de ‘bola de neve’. Como sair da dívida do cartão de crédito?

O consultor, Adriano Nodari, relembra que no ano passado, surgiram novas regras dentre os bancos, que agora são obrigados a fazer uma transferência da dívida para a modalidade de financiamento parcelado. Para ele, o ideal, quando é possível, é sempre pagar a fatura total, já que entrar no rotativo do cartão rende juros exorbitantes:

“Por ano, os juros calculados são de mais de 300% ao ano, sobre o valor que não é pago. Já se for um caso em que inevitavelmente, a pessoa precise parcelar, é importante fazer algumas análises: se vale a pena fazer esse acordo com a prestadora financeira, tendo em vista a quantidade de juros e, se o valor poderá ser pago todo mês, para que não se contraia ainda mais dívidas”.

Um comportamento financeiro muito comum entre as pessoas, segundo o especialista, é não ter noção do quanto se gasta todo mês. Em muitos casos, se fazem compras em pequenos valores no cartão de crédito e, no final do mês, a pessoa se surpreende com o valor da fatura, porque realizou compras baratas, mas em grande quantidade:

“É importante ter um controle do quanto se gasta, algumas pessoas preferem fazer esse cálculo por dia, outras por semana ou por mês. Não importa o método, mas é indicado ter na ponta da caneta qual é o valor fixo mensal (padrão) e quanto se pode gastar, de maneira que não se entre no vermelho”.

Confira: Saiba como tirar uma empresa das dívidas e a evitar o problema

Caso preocupante de dívida no cartão de crédito

Como a dívida do cartão de crédito é a principal causa de endividamento dos brasileiros, e em grande parte dos casos, sai do controle das pessoas, há algumas dicas, que segundo Nodari, podem ajudar na tentativa de colocar as finanças pessoais nos trilhos novamente:

Encare o valor da dívida – “Muitas pessoas não gostam dessa tarefa de ‘olhar para a realidade’ das finanças, mas se trata de um passo essencial, quando se quer sair do vermelho”, orienta o consultor. Faturas de cartão de crédito, extratos, boletos, etc., coloque todos os gastos no papel;

Tenha uma planilha de gastos – Depois de colocar no papel todos os gastos e de saber quanto deve, tenha uma planilha de gastos, que pode ser organizada no excel ou em algum aplicativo específico. Coloque na planilha os gastos fixos (aluguel, telefone, internet, etc.) e os gastos variáveis como luz, gás, água, entre outros. Veja o quanto gasta por mês com lazer;

Redução de gastos – Sair das dívidas também está relacionado com mudança de comportamento financeiro. É preciso cortar os gastos com supérfluos, que são aqueles gastos com lazer que saem do orçamento disponível. Bares, restaurantes, idas ao cinema, viagens, entre outros, precisam ser revistos no orçamento. Alternativas de lazer mais em conta ou gratuitas, são indicadas;

Negocie, com calma – Não adianta agir por impulso para tentar resolver um problema e acabar entrando em outro. Negocie com os credores, se é uma dívida que excede muito a renda líquida, veja a possibilidade de negociar um valor que possa ser pago mensalmente. “Uma vez negociado um valor fixo ao mês, tenha a certeza de que poderá ser pago ou se entrará em mais dívidas com os juros de uma renegociação”;

Educação financeira – Se o problema é sempre a dívida do cartão de crédito ou sempre acabar caindo na tentação do cheque especial, a recomendação é procurar por orientação profissional, por aprender a como gerir as próprias finanças, a como mudar o comportamento financeiro, e não só sair do vermelho, como conseguir uma estimativa de progresso financeiro futuro.

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Como sair da dívida do cheque especial?

Muitas pessoas caem na ‘tentação’ do cheque especial, que é aquele valor de crédito pré-aprovado pelo banco, para que se use em caso de ‘emergência’. E por que emergência? Em um caso de empréstimo consignado, os juros ficam em média 42,8% ao ano, já em um caso de cheque especial, os juros podem subir para aproximadamente 327% ao ano, segundo último acordo realizado pelo Banco Central.

O ideal é que a pessoa não recorra a esse recurso, mas se for inevitável e houve um caso de gasto excedente, inicialmente pode-se tentar negociar com o banco uma maneira de quitar a dívida, que assim como ocorre com o cartão de crédito, é realizada por meio do parcelamento:

“Dependendo do valor dos juros embutidos nas parcelas, a pessoa deve pensar se realmente vale a pena negociar diretamente com o banco. Uma saída costuma ser tentar um empréstimo pessoal consignado, geralmente com uma fintech, que costuma apresentar juros bem menores, assim a pessoa quita a dívida com o banco e assume uma dívida ‘mais barata’, é uma alternativa”, orienta Nodari.

Outra maneira, segundo o especialista, de tentar resolver o problema com a dívida, é tentar vender objetos que não se utilizam mais e que estão em perfeito funcionamento, isso pode ajudar no pagamento da dívida:

“Há, também, o que podemos chamar de “portabilidade” da dívida: após uma pesquisa com calma e muitas contas, pode-se tentar encontrar outro agente financeiro que cobre menor taxa de juros, diminuindo os custos finais.”

Para evitar o problema do endividamento, a melhor saída é reeducar o comportamento em relação ao dinheiro. Há muitos aplicativos gratuitos disponíveis com a finalidade de ajudar no controle das finanças, tais como:

Mobills: disponível para Android, iOS ou Windows Phone (aqui);

Organizze: é um aplicativo pago, mas tem a versão gratuita, disponível para Android e iOS (confira);

GuiaBolso: esse é um aplicativo também pago, nas há algumas funcionalidades gratuitas, e oferece a possibilidade de o usuário acessar a sua conta bancária pelo aplicativo, de maneira segura, mostrando a realidade da situação financeira (ver).